domingo, 18 de maio de 2014

Most of what you see, my dear is worth letting go...


"Everyone is seems has somewhere to go
And the faster the world spins, the shorter the lights will glow
And I'm swimming in the night, chasing down the moon
The deeper in the water, the more I long for you

Most of what you see, my dear, is purely for show
Because not everything that goes around
Comes back around, you know?
Holding on too long is just a fear of letting go
Because not everything that goes around
Comes back around, you know?

One thing that is clear: it's all downhill from here...

The loveline in your hand, cleverly disguised
All the promises of stone, crumble in the light...

Most of what you see, my dear is worth letting go...
Because not everything that goes around
Comes back around, you know?
Holding on too long is just a fear of what to show
Because not everything that goes around
Comes back around, you know?

One thing is clear: it's all downhill from here..."




Acho que dispensa explicações.



Música: Like Clockwork, por Queens of the Stone Age
Album: ... Like Clockwork (2013)

Does anyone ever get this right?

Hoje, eu olho ao redor, e tudo o que eu vejo é dor condensada.

Está nos olhos das pessoas, no ar que eu respiro, nas vozes vazias, nas palavras não ditas.

Não neguem: tudo é dor. Os carros conduzidos por pessoas egoístas, o stress de uma fila de banco, o olhar vago dos passageiros nos ônibus. As fotos apelativas nas redes sociais, o comportamento estereotipado e, muitas vezes, sem nexo algum.
Tudo é dor. Aquela dor antiga, crônica. A dor da falta ou do excesso de algo. Da perda - ou muitas vezes, da presença de alguém. A dor que guardamos lá no fundo, escondendo até de nós mesmos. Ou até a dor que queremos mostrar, mas todos fecham os olhos, desligam os ouvidos, e trancam os corações para não verem. A dor que negamos existir, que volta e se manifesta de outras formas - socialmente aceitáveis.

Cada um tem a sua dor. Não importa o que causou ou o que a alimenta. O que importa é que, na ânsia de vivermos, nos forçamos a ser felizes a qualquer preço. Bens materiais, uma mesa cheia de amigos, casamentos e filhos, ibobe em mídias sociais, álcool, música - tudo isso são caminhos que as pessoas percorrem atrás da tão sonhada felicidade. Não dá para condená-los. Nem mesmo aqueles que buscam felicidade na dor alheia. A dor nos faz chegar ao desespero, e é aí que tentamos de tudo o que sabemos - e até o que desconhecemos - para nos livrar dela.

E, esta ingrata, por mais que realizemos nossos objetivos, permanece ali. Às vezes latente, em stand by. E aí pensamos: "finalmente, sou feliz". Mas alguns poucos ainda sabem que ela está só esperando, sentem que algo está errado...
Eis que, quando estamos no topo da montanha-russa, no auge, ela resolve reaparecer, lembrando-nos que somos falhos e incompletos. Lembrando-nos de nossos fantasmas, nossos medos.

Não há como negar. Nem o mais feliz dos seres se livrou do pontinho escuro que reside ali no âmago da alma. E, infelizmente, jamais se livrará.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Príncipe Sem Rosto

"Mais um caso de amor para o arquivo morto. Durou pouco mais de três dias (ah, eu e meus padrões). Suspensa por um favor, a situação se alongava. Um passaporte. Que irônico, uma analogia entre a permissão para imigrar pra onde quer que fosse e a minha posse do documento era o que ainda nos ligava.
Pois bem, hora de voltar ao projeto inacabado de construção do Príncipe Sem Rosto. Um alívio que eu tenho para mim e para manter um pouco de esperança. Meu Frankenstein que se baseia em qualquer característica minimamente atrativa, momentânea ou que me fascine há muito. Talvez esse protótipo de homem me mantenha longe da realidade e me impulsione a se afastar dela ainda mais. Quem sabe será ele a fonte dos meus males e fraquezas. Matar o príncipe pode ser a solução. Sepultado ele segurará meu olhar rumo ao vazio, em seu aguardo. Um eterno retorno que se estende pelos anos que me engole.
O Príncipe Sem Rosto é assim chamado pois não é ninguém e é todos ao mesmo tempo. Vislumbro sua face conforme meus humores (e amores) se alterando conforme o outro lado do leito esfria. Às vezes busco um rosto antigo nas seguranças das lembranças por mim moldadas, fruto dos meses que se tornam anos e perdura o que eles tinham de agradável. Imortalizado te faço em minha memória, teu melhor eu retenho e teu defeito desfaço."




Por: Moisés Vieira

domingo, 19 de janeiro de 2014

How did it come to this?

Duas da manhã, todas as luzes do prédio vizinho estão apagadas. Nos meus ouvidos, guitarras, baixo e bateria. O cheiro dos lençóis me invade, me fazendo pensar como devem ser macios os seus. Me fazendo desejar estar entre eles e você. Há uma foto sua aqui, e ela me atrai com uma frequência maior do que eu gostaria de admitir. Você me atrai de uma forma que eu não gostaria de admitir.

Dizem que eu tenho uma intuição forte, e um raciocínio melhor ainda. De fato, quando meus alarmes disparam, é melhor correr. Algo disparou - mas foram alarmes diferentes.
Não foi difícil vencer minhas barreiras e driblar minhas defesas, certo? Mantive a guarda baixa, como um animal ferido, rendido. E em pouco tempo, me recuperei - mas você já tinha implantado seus vírus no meu sistema imunológico. O jogo estava ganho, e quase nenhum esforço foi feito da sua parte.
Você se divertiu, não foi? Poucos dias, e brincando, já desnudou minha alma. Tão cedo, você descobriu muitas das minhas fraquezas, explorou-as. E eu permiti.

E gostei.

Me deixei levar pelo carisma malicioso, pelo sorriso de soslaio. Joguei fora meus escudos, e deixei você me invadir... Afinal, nada tinha a perder. Uma estratégia covarde, alguns diriam; se aproximar do inimigo em um momento de fraqueza, para dá-lo o golpe de misericórdia. Mas não somos inimigos, somos? E, convenhamos, este xeque-mate está sendo muito prazeroso para o meu rei derrotado. Quase como morrer em uma montanha russa.

Ah, como foram doces as palavras que ouvi enquanto era fatalmente golpeada. Convenientemente ditas, quase colocadas em locais escolhidos a dedo, em momentos propícios. Carregadas de signos, desprovidas de pudor. Violentamente escancaradas, para me jogar aonde você queria. Sinceras ou não, pouco importa. O que convém é que você conseguiu o que queria: me domou e me derrubou a seus pés, ansiosa para servir a teus propósitos. Pronta para representar o papel que me designar, ou mostrar-me no mais visceral dos realismos.
 Mas até lá, vamos continuar jogando este jogo de cartas marcadas, com um fim inesperadamente previsível. Simplesmente pelo prazer de jogar.


Porém, mr. Writer, não se esqueça... Sei o suficiente sobre você para fazer ainda pior do que fizeste. Entregastes tua estratégia de defesa para mim.
Aguarde... Quando estiver em minhas plenas faculdades, será ainda mais doce jogar contigo.
E te garanto que neste jogo, todos ganham.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

What light?

Houve um tempo, aonde dentro de mim existia uma pessoa controlada. Eu sabia, com precisão, tudo o que acontecia comigo (e o porquê). Todos os horários, pensamentos, reações. Meu corpo era uma máquina com propriedades incríveis de autorreparo - incluindo o gerenciador de todas as atividades: o cérebro. Porém, ao passar dos meses, os problemas surgiram. Em uma sociedade tomada por rivotril e valium, não faz sentido existir alguém com habilidade intrapessoal. 
"Você precisa ser menos racional, eles disseram. Menos isso, mais aquilo... Nada estava nos conformes, jamais. Eu sempre estava inadequada.

Eis que, aquele meu grande sonho de criança, parecia possível; isto é, caso eu seguisse as sugestões que ouvia. E eram tantas, e tão variadas... É difícil não se confundir com as diversas teorias e opiniões.
E naquela ânsia por me tornar parte de tudo, eu me perdi. E me tornei parte de um nada. 
Me tornei um nada.

Perdi todo o controle de tudo, e nunca mais retomei. E eu não sei viver sem ter o controle. Assim, de uma hora para a outra, o caos exterior (que tanto me acalmava) tornou-se interno, indissociável. Eu me tornei uma tempestade de verão - repentina, imprevisível, e devastadora.
Então, eu atingi um estágio crítico, aonde eu não fui capaz de controlar sequer minhas palavras. Qualquer pluma pesava como um planeta em meus ombros, como se a pressão atmosférica fosse o suficiente para espremer até a última gota da minha sanidade.
E foi assim, tentando ser uma pessoa normal, que eu arruinei a minha vida.

Eis que eu decidi reaver o controle sobre mim mesma. Um ano de árdua caminhada, pontuada por tombos frequentes. Um ano de privações e concessões - contando apenas comigo mesma. E, quando tudo finalmente parecia ter se encaminhado...



"What light could you have discovered,
So bright no one else could see?
This time, there will be no buffers
No right standing over me...
(you say there's a light)
Somebody has to come by
(you say there's a light)
To keep you always on time
(you say there's a light but i cannot see it)
And make you pay for your oversights
Oh my, oh my..."

sábado, 14 de dezembro de 2013

There's no way out of this hell.

Fantasmas.

A vida tem dessas surpresas às vezes. Você acorda, imagina que será mais um dia normal, dentro dos padrões da sua maçante rotina. Passam-se algumas horas, e percebe que o dia nada terá de normal: você recebeu visitas.

Ah, mas não pense que são aquelas visitas alegres e descontraídas. Não são seus parentes que vieram para o almoço, nem o técnico da internet. Hoje, quem te visitam são seus fantasmas. Mais uma vez, eles se aproveitam do momento de solidão física, justo quando não há mais ninguém em casa.
Hoje eles vieram, retornaram com saudade. E estão ávidos para relembrar os velhos tempos - dos quais você não sente falta alguma.
E, assim como você se deixa levar pela riso e a alegria de visitas bem intencionadas, estes fantasmas te recolocam com facilidade em uma sensação muito bem conhecida: o desespero.


Eu imaginava que estivesse livre, ao menos destes. E me surpreendi ao perceber o quanto meu corpo havia se desacostumado... Arrepios, tremores que nada tem a ver com a temperatura. E como se fizesse algum sentido, mãos geladas, úmidas. A cabeça aos giros, as narinas obstruídas.

Ah, como seria menos incômodo se eles ao menos soubessem ser educados... Mas não, eles gritam. Gritam coisas nos meus ouvidos, coisas obscenas e depreciativas. E, não contentes, me forçam a rever aquele mesmo filme que vejo há mais de 13 anos - agora com novas cenas, acrescidas para aumentar a duração da tortura.

Não há lugar aonde eles não te encontrem. Não há férias ou feriados. Não há agendamentos, nem previsões. Não há atrasos ou pausas. Eles voltam, sem avisar. E não fazem questão de serem breves em sua visita.

E não há a quem recorrer, uma vez que eles não deixam rastros visíveis. Como lutar contra aquilo que não se vê, ou que não se percebe com nenhum dos sentidos? Como esperar alguma ajuda, se não há como descrever o que se precisa?
(É claro, considerando que alguém se interesse em ajudar.)

Como eu ainda não sucumbi? Ah, não sei bem. às vezes, eu fujo para o inconsciente. Confio que ele vá me proteger. Durmo, com a certeza de que nos sonhos nada vai me machucar de verdade. Às vezes, recorro aos prazeres mundanos, tentando ignorar meus visitantes: comida, consumo, conversa. Em outras situações, recorro à ciência: alguns estímulos são mais rápidos ou intensos - o tato contido no abraço, o calor de um banho, a dor de uma agulhada, o conforto sonolento de um antidepressivo.


Mas no final, são todas fugas. E como eu disse, eles te encontram sempre. É aquele velho ditado: "Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come". Eles te punem ainda mais rigorosamente se você resistir. E quando finalmente se vão, deixam sinais intensos de sua visita, e apenas uma certeza:

"Voltaremos em breve."

quinta-feira, 25 de julho de 2013

6.

Tocava blues bem baixinho no quarto. Lá fora, frio e vento. Aqui dentro - dentro de mim - havia uma calma morna, uma paz aconchegante.

Você estava aqui, ao meu lado. Era o que bastava para que tudo se aquietasse, para que minha mente interrompesse o processo criativo-pessimista em que esteve nos últimos dias. Era tudo o que eu precisava para deixar as coisas no eixo, voltar ao meu estado natural.
Ali, olhando para você, eu me sentia completa.

Então, todas as perspetivas de futuro que um dia eu já tive naufragaram naquela sensação de plenitude. Você veio, me mostrando novas possibilidades, outras opções. Veio para me provar que eu posso sim ser feliz, apesar de tudo.

E em algum lugar entre meu sono REM e o calor da cama, eu flutuava na certeza de que era aquilo que eu sempre quis pra mim, mas nunca pude acreditar que esse dia chegaria. Estava eu ali, resoluta de que era apenas mais um sonho lúcido. Mas sua pele, seu perfume, sua mão no meu rosto, seus pés enroscados nos meus... Tudo indicava que era real.
Era verdade, você estava ali. Por mim.

Não posso dizer que dormi bem. Por várias vezes acordei, pra ver se você estava descoberto, para ter certeza de que não estava te empurrando pra fora da cama. Pra convencer meu cérebro de que você estava ali. Mas acordaria por mais cem vezes se preciso fosse, desde que tudo estivesse bom pra você.

Mas tudo passou. As horas voaram. Como sempre, o tempo teima em arrastar enquanto eu te espero, e simplesmente corre quando você está aqui. E, mais cedo do que eu esperava, me deparei com a imensidão de cama e cobertas, tudo vazio, grande demais só pra mim. E o quarto parecia mais frio agora...
E, como sempre, tive que sufocar a minha vontade de que você não saísse dos meus braços porta afora.
Mas você prometeu...

"Não sai nunca daqui, fica comigo pra sempre."