sábado, 9 de janeiro de 2010

Como pedir uma pizza em 2015


Simples e prático.




*Telefonista: Pizza Hot, boa noite!
* Cliente: Boa noite! Quero encomendar pizzas…
* Telefonista: Pode me dar o seu NIDN?
* Cliente: Sim, o meu número de identificação nacional é 6102-1993-8456-54632107.
* Telefonista: Obrigada, Sr.Lacerda. Seu endereço é Avenida Paes de Barros, 1988 ap. 52 B, e o número de seu telefone é 5494-2366, certo? O telefone do seu escritório da Lincoln Segurosé o 5745-2302 e o seu celular é 9266-2566.
* Cliente: Como você conseguiu essas informações todas?
* Telefonista: Nós estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
* Cliente: Ah, sim, é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma de quatro queijos e outra de calabresa…
* Telefonista: Talvez não seja uma boa idéia…
* Cliente: O quê?
* Telefonista: Consta na sua ficha médica que o Senhor sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a sua saúde.
* Cliente: É você tem razão! O que você sugere?
* Telefonista: Por que o Senhor não experimenta a nossa pizza Superlight, com tofu e rabanetes? O Senhor vai adorar!
* Cliente: Como é que você sabe que vou adorar?
* Telefonista: O Senhor consultou o site ‘Recettes Gourmandes au Soja’ da Biblioteca Municipal,dia 15 de janeiro, às 4h27minh, onde permaneceu conectado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão…
* Cliente: OK está bem! Mande-me duas pizzas tamanho família!
* Telefonista: É a escolha certa para o Senhor, sua esposa e seus 4 filhos, pode ter certeza.
* Cliente: Quanto é?
* Telefonista: São R$ 49,99.
* Cliente: Você quer o número do meu cartão de crédito?
* Telefonista: Lamento, mas o Senhor vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu cartão de crédito já foi ultrapassado.
* Cliente: Tudo bem, eu posso ir ao Multibanco sacar dinheiro antes que chegue a pizza.
* Telefonista: Duvido que consiga! O Senhor está com o saldo negativo no banco.
* Cliente: Meta-se com a sua vida! Mande-me as pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam?
* Telefonista: Estamos um pouco atrasados, serão entregues em 45 minutos. Se o Senhor estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas pizzas na moto não é aconselhável, além de ser perigoso…
* Cliente: Mas que história é essa, como é que você sabe que eu vou de moto?
* Telefonista: Peço desculpas, mas reparei aqui que o Sr. não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga, e então pensei que fosse utilizá-la.
* Cliente: @#%/§@&?#>§/%#!!!!!!!!!!!!!
* Telefonista: Gostaria de pedir ao Senhor para não me insultar… Não se esqueça de que o Senhor já foi condenado em julho de 2006 por desacato em público a um Agente Regional.
* Cliente: (Silêncio)
* Telefonista: Mais alguma coisa?
* Cliente: Não, é só isso… Não, espere… Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.
* Telefonista: Senhor, o regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 3095423/12, nos proíbe de vender bebidas com açúcar a pessoas diabéticas…
* Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!! Vou me atirar pela janela!!
* Telefonista: E machucar o joelho? O Senhor mora no andar térreo!






sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Harmonia



Geralmente, eu começo meus posts com um suspiro. Aqueles que se dá, quando se encara uma tarefa de metodologia cuidadosa, como se criasse coragem, tentasse colocar as idéias no lugar.




Hoje, meu suspiro foi diferente. Suspiro de quem quer sentir o ar que inspira, de quem quer sentir que está ali, que faz parte de tudo o que cerca.


Felizmente, nos últimos dias, está fácil sentir isso.


Spinoza dizia que tudo o que existe faz parte de uma coisa só. Homens, animais, coisas, pedras, aromas. Tudo faz parte de um corpo, ou natureza, que ele chama de Deus. E esta natureza pode ser bela, magnífica, desde que tudo dentro dela esteja em harmonia.




É horrível pensar que você, uma pequena célula de um corpo, não está agindo em sincronia com seu sistema. A célula começa a agir errado, para de receber oxigênio, nutrientes, e acaba sendo isolada dali. Aí começa o caos interno, até a apoptose. Mas se a célula consegue se recuperar daquilo tudo, ela se reintegra a seu tecido.




Sentir que faz parte de um todo. Sentir que tudo está a seu favor.
Sentir bem.




É um preço que não se paga, nem se calcula.











E tudo por causa de uma Mousse de chocolate, e um Pudim de morango.





















(Imagem da Joaninha: Espécie: Harmonia Axydris. Faz sentido, quando se fala de natureza.; Filósofo citado: Spinoza - um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. )

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Reset(ing) .



Ano novo, hora de planejar. É clichê, mas se pararmos para pensar, todo dia 1 de janeiro, parte de nossa vida se reinicia.






Como foi meu 2009? Uma droga, se me permite dizer.


Um dos anos mais trágicos e revoltantes que já tive (tá, nem foram tantos assim).


Aonde errei? não tenho certeza. Sequer sei se acertei alguma coisa.






Se seguirmos minha filosofia sobre o "acaso", teremos que todas as coisas que nos acontecem são uma soma de consequências e atitudes. Consequências por nossos atos, e atitudes de pessoas alheias à nossas escolhas. Então, se meu 2009 não foi muito bom, só me restam duas coisas: Ou eu agi como uma idiota, ou as outras pessoas agiram como idiotas.


(sim, leve tom de revolta nas palavras)




Prefiro acreditar que eu agi como idiota, predominantemente.
Se eu acreditar nisso, posso avaliar meu jeito de ser, minhas escolhas, minhas atitudes... e assim, melhorar minha vida. Mas se eu pensar sempre que "a culpa não é minha, eu não mereço isso", viverei miseravelmente, assim como vivi ano  passado.






Balanço geral do ano passado: um completo fiasco, nenhuma conquista evidente. Prefiro 2008.


Mas não vou me prender ao passado. 2009 já foi, e foi tarde. deveria ter durado apenas 3 meses: janeiro, outubro e dezembro. Mas pelomenos, passou.






O que me resta? Fazer de 2010 o ano da minha vida. Pelomenos para compensar.









Mas chega de reclamar; agora, vamos ao que interessa: O post de verdade.


Exceder Expectativas. É a ordem agora. A vida flui, tudo transcorre. Não dá para se prender a algo que passou, algo que deixou de ser.


Exceder Expectativas. Parece uma locução bela, imponente... E se parássemos para pensar, ela é.

Qual é o significado de Exceder Expectativas? Obviamente, ultrapassar as metas.

Mas e o significado subjetivo, aquele pessoal?



Superar, esquecer, planejar.
Sorrir, tentar, conseguir.
focar, pensar, agir.


Perseverar.


Perseverar, Exceder Expectativas... Palavras bonitas. Ações bonitas.

Fáceis? Bem longe disso. Mas possíveis, e melhor ainda, prováveis.

Descoberta, também faz parte do universo desta "new order".

Descobrir (in)capacidades, limitações, metas, (d)eficiências.
Descobrir sonhos, realidade, desejos, ilusões.
Descobrir pessoas, lugares, fatos, habilidades.

Procurar. Quem procura, encontra; portanto, descobre. Desvenda.

De olhos desvendados, é tudo claro, iluminado.




Podemos ver, então, a beleza de uma caminhada perseverante.


Talvez, no caminho, você encontre uma flor, e um bilhete.


















terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Nantes.

"Well it's been a long time, long time now

Since I've seen you smile..."

 

Parece realmente uma eternidade, desde que eu a vi sorrir.
Qual foi seu último sorriso sincero? Nem me recordo a razão dele...

Quanto durou, quem mais riu, alguém viu? 


São detalhes que não tem importância quase alguma. Na verdade, a única utilidade, seria a capacidade de fazer sorrir novamente.



Que saudade daquele sorriso... 


Sinto imensa falta do perfume que o sorriso exalava. Sim, este sorriso exalava um perfume, brilhava como uma supernova, falava mais do que mil palavras. Eu podia sentir aquele sorriso.


Ele tinha gosto de felicidade.


Que saudades daquela felicidade...




"And I'll gamble away my fright                               
And I'll gamble away my time..."




(Realmente, "gamble away my fright" não parece uma má ideia.)



Perder o medo, não é lá tão ruim, desde que o indivíduo não se torne corajoso demais e corra riscos desnecessários. Mas perder todo o tempo....


Por que perder o tempo? Para quê esperar pelo sorriso? Por que não agir?


Mas como agir para obter aquele sorriso de volta? Como obter aquela felicidade, e aquela paz novamente?

 Vale lembrar que o sorriso tem que ser sincero, verdadeiro.




Novamente, os problemas com medos, pensamentos, tempo e ações.




"And in a year, a year or so
This will slip into the sea
Well it's been a long time, long time now
Since I've seen you smile..."



E me pergunto: Será que é preciso um ano para que tudo deslize para o mar? As gotas de água, as indiferenças, as diferenças, egoismos, orgulhos, mágoas e raivas... Será que isso tudo não pode correr mais rápido, no rio que leva tudo a um fim de oceano sem fim?



Quanto tempo vai ser necessário para que tudo volte ao normal, e eu possa ver aquele sorriso denovo?


Como levar o barco até lá, sem remos, sem motor, e ainda com a canoa furada?


(Sem saber nadar...)

(Rio de águas turbulentas...)




Haverá talento e criatividade para tentar não afundar, até que a paz e a felicidade retornem (trazidas pelo sorriso)?







"Nobody raise your voices
Just another night in Nantes..."





Espero ter a sabedoria para não levantar a voz... a calma e a paciência de esperar "apenas mais uma noite em Nantes"...


E principalmente, a esperança de ver aquele sorriso novamente, em breve.










(Música:  Nantes - Beirut; Figura: The Bridge At Nantes, de Jean-Baptiste-Camille Corot)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

"Lágrimas e Chuva"


"Eu perco o sono e choro
Sei que quase desespero
Mas não sei por quê..."

Como saber o porque das coisas? aliás, porque as coisas acontecem (ou deixam de acontecer)?

Quando algo te esvazia, e todas as razões somem... Porque acontece?

Como acontece?

"A noite é muito longa,
Eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer.
Será que alguma coisa,
Nisso tudo, faz sentido?
A vida é sempre um risco,
Eu tenho medo do perigo..."

Como saber o sentido que as coisas tem? Se o mais belo da vida é o mistério que a cerca, porque descobrir?

Mas algumas vezes é difícil aceitar o que acontece... Principalmente quando não entendemos a razão daquilo tudo.

Não nos parece certo, justo, sensato.

A maioria das coisas que acontecem é puramente o fruto daquilo que fazemos, dizemos, pensamos e queremos.

Mas porque fazemos tantas coisas erradas? Porque não conseguimos evitar?


"Lágrimas e chuva
Molham o vidro da janela
Mas ninguém me vê...
O mundo é muito injusto,
Eu dou plantão nos meus problemas
Que eu quero esquecer..."


Leoni tem razão. O mundo é muito injusto, e nos faz ver aquilo que nos dá medo.

Será que existe alguma saída para esse medo?


Medo, o medo. O grande problema que impede as pessoas de evoluirem. Incluindo eu.


"Será que existe alguém
Ou algum motivo importante,
Que justifique a vida
Ou pelo menos este instante?"


E quando o motivo importante some? O que acontece quando os dias ficam vagos, inexpressivos?

E quando o tempo fica vazio, a mente cheia de ar, os objetivos simplesmente se apagam, com uma borracha gigante e invisível das páginas que preenchem o livro que conta sua história?



"Eu vou contando as horas
E fico ouvindo passos
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto..."

Eu tenho uma amiga, que diz que se nada se resolveu ainda, é porque não chegou ao fim da história.

E quando não se pode agir para ver as coisas resolvidas?

O fim da história... Quando será o fim da história? Será que vai demorar muito para que eu me sinta bem, para que eu veja as coisas se resolverem?


Mas e quando se tem medo do fim da história?

Denovo o medo.

Quando alguém descobrir uma saída para o medo, por favor, avise.




"Eu vou contando as horas, e fico ouvindo passos...
quem sabe o fim da história,
quem sabe o fim...."


(Música: Lágrimas e Chuva - Leoni; - Ótima para se ouvir em um dia frio e nublado. Evite, se estiver com impulsos suicidas.)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A Flor e o Bilhete


Um caminho difícil, estreito, de destino desconhecido.
Pedregoso, instável, tortuoso, cansativo.

É difícil pisar nas pedras, se machucar, sentir dor. Mais difícil ainda quando nada parece ter resultado.

Tudo o que já foi percorrido parece tão pequeno, tão inexpressivo...

Pode ser um micromovimento, mas é algum. E é seu.



Mas é tão bom quando alguém deixa, no caminho, uma flor com um bilhete, dizendo:


"Cada pedra até aqui valeu a pena, e as que virão, valerão este momento.

Parabéns, você acabou de vencer um quilômetro."


Por mais insignificante que pareça, rolam lágrimas, fluem sorrisos, gritos e gargalhadas são contidos.



Para Sócrates, "uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida."

Ele tinha razão.



E finalmente, talvez antes do que esperava, mas bem depois do que precisava,
Quem flutuou o caminho todo, caiu no chão.
Quem pisou nas pedras, ganhou um sapato,


E uma flor.


domingo, 13 de dezembro de 2009





Dizem que as mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam perto do chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados. Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar... aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.


Mas o que acontece se nenhum homem corajoso o suficiente passar pela macieira?
Um dia, a maçã se cansa de esperar, apodrece, e cai ao chão.

Ninguém quer maçã podre.


Enquanto isso, pobre da maçã, sofre, se entristece, se cansa, se desgosta.
Isso quando a maçã não resolve ir à luta. Se isso acontece, pior ainda.
Infeliz maçã, se machuca, se fere, se perfura, se enche de escoriações, tentando em vão buscar algo que ela sabe que não vai conseguir.


Mas o que mais admira na maçã, é que ela não desistirá de esperar, mesmo em seu estágio terminal, aonde ela está sendo consumida pelos microorganismos do chão.

Mesmo em decomposição, a maçã nunca desiste. Mesmo sabendo de seu triste e obscuro fim.